Os governadores eleitos dos Estados do Sul do Brasil, Luciano Zucco (Rio Grande do Sul), Jorginho Mello (Santa Catarina) e Sergio Moro (Paraná), apresentaram seus planos de governo relacionados à gestão de eventos climáticos extremos. Embora os documentos mencionem a importância de ações voltadas para essa questão, eles carecem de metas concretas e diagnósticos abrangentes sobre o cenário atual.
O plano de Zucco para o Rio Grande do Sul possui 107 páginas e dedica uma seção ao tema “Defesa Civil e Resiliência Climática”, sendo o único que menciona diretamente a relação entre mudanças climáticas e eventos extremos. O documento aponta que eventos climáticos severos estão se tornando mais frequentes, o que demanda que o Estado esteja preparado para não apenas reagir, mas também reduzir vulnerabilidades.
Entre os eventos mais significativos, estão as chuvas torrenciais que afetaram o estado de abril a maio de 2024, resultando em 185 mortos e 23 desaparecidos. O plano propõe obras estratégicas para o enfrentamento das cheias, manutenção de diques e investimentos em prevenção e Defesa Civil. Destaca ainda os fundos bilionários disponíveis para a reconstrução e a prorrogação do prazo para a execução de recursos.
Em relação ao Paraná, o plano de Moro, com 91 páginas, menciona o fortalecimento da capacidade de prevenção e resposta a desastres climáticos, incluindo a construção de moradias seguras em áreas de risco. O documento também se compromete a oferecer recursos para proteger os agricultores e implementar um sistema de “blended finance” para projetos sustentáveis.
Por sua vez, o plano de Mello em Santa Catarina, que conta com 22 páginas, promete continuar investimentos em infraestrutura de prevenção de cheias e garantir pagamentos por serviços ambientais para agricultores que preservam a vegetação nativa. O governador reeleito destaca também a ampliação do crédito para práticas que visem proteger os produtores durante períodos de estiagem.
Embora haja um reconhecimento da importância de ações voltadas para a resiliência climática, os planos dos governadores carecem de estratégias detalhadas e de informações quantitativas que contextualizem a situação atual nas respectivas regiões.
