Empresas, entidades, governos e cidadãos têm até as 23h59 da próxima quarta-feira (30) para apresentar sugestões e propostas de alterações no projeto da nova concessão da Malha Sul. Para o Paraná, a reta final da audiência pública é considerada decisiva para tentar incluir obras como os contornos ferroviários de Curitiba e outras intervenções estratégicas para o transporte de cargas no Estado.
Essas contribuições estão sendo coletadas na Audiência Pública nº 11/2026, conduzida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), cuja participação foi prorrogada em agosto. As propostas podem ser feitas por meio do sistema ParticipANTT.
A discussão envolve minutas do edital e do contrato que definirão a exploração da Malha Sul após o encerramento da atual concessão da Rumo Malha Sul, prevista para fevereiro de 2027. A rede sob análise tem aproximadamente 4,25 mil quilômetros, abrangendo Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e parte de São Paulo, e está dividida em três corredores: Paraná–Santa Catarina, Mercosul e Rio Grande.
Investimento em infraestrutura de R$ 53 bilhões
Segundo a ANTT, o projeto prevê investimentos de aproximadamente R$ 14,4 bilhões em capital (Capex) e custos operacionais projetados em cerca de R$ 38,5 bilhões ao longo de 30 anos de concessão, totalizando perto de R$ 53 bilhões. Esse valor inclui não apenas investimentos em novas obras, mas também despesas operacionais para a manutenção das ferrovias durante o período de concessão.
A audiência pública abrange estudos de viabilidade, modelo econômico-financeiro, matriz de riscos, Programa de Exploração da Ferrovia e as minutas de edital e contrato. Após o encerramento das contribuições, a ANTT analisará o feedback recebido e poderá realizar alterações nos documentos. O projeto necessário à concessão deverá ser enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU) antes da publicação do edital e do leilão.
Contornos ferroviários de Curitiba em pauta
Uma das principais demandas do Paraná é a inclusão dos contornos ferroviários Leste e Oeste de Curitiba. O prefeito Eduardo Pimentel já formalizou essa reivindicação durante audiência pública realizada pela ANTT em julho. A Prefeitura solicitou que a futura concessão contemple não somente os projetos executivos, mas também a execução das obras.
Atualmente, mais de 40 quilômetros de trilhos destinados ao transporte de cargas atravessam a área urbana de Curitiba, afetando 21 bairros e 51 passagens em nível, totalizando cerca de 467 mil moradores. A retirada do transporte ferroviário pesado dessas regiões permitiria, segundo a Prefeitura, utilizar parte dos trilhos para projetos de mobilidade e desenvolvimento urbano, como transporte de passageiros, ciclovias, parques lineares, novas ligações viárias e áreas habitacionais.
A segurança também é uma preocupação. Dados da ANTT indicam 433 ocorrências ferroviárias em Curitiba entre 2005 e 2025, com 152 acidentes reportados entre 2021 e 2024, resultando em mais de 60 feridos e 27 mortes.
Demais propostas para a Malha Sul
Entre outras demandas, representantes do setor produtivo defenderam a implantação de um novo traçado no trecho da Serra da Esperança, entre Guarapuava e Lapa, e a ampliação dos pátios de manobra. A prioridade por investimentos no estado também foi ressaltada durante as discussões.
Contudo, as propostas apresentadas não garantem sua inclusão no edital; será responsabilidade da ANTT avaliar quais contribuições poderão ser incorporadas à modelagem final do projeto.
Importância do Porto de Paranaguá
A nova concessão é crucial para o Porto de Paranaguá, onde uma parte significativa das cargas transportadas pela ferrovia no Paraná é destinada. Técnicos do Ministério dos Transportes e ANTT têm discutido a integração da futura Malha Sul com a infraestrutura do porto, considerando projetos como o Moegão, que visa aumentar a capacidade de recebimento de vagões e diminuir gargalos na movimentação ferroviária.
Nova Ferroeste, um projeto separado
A Nova Ferroeste, que pretende criar cerca de 1.567 quilômetros de novos trilhos ligando Maracaju, no Mato Grosso do Sul, a Paranaguá, não está incluída na atual concessão da Malha Sul. Contudo, a integração entre Malha Sul e Nova Ferroeste é considerada estratégica para o sistema logístico paranaense. Recentemente, acordos de cooperação técnica foram firmados entre o Governo do Paraná e o Ministério dos Transportes para coordenar estudos relacionados aos dois projetos.
Com o contrato atual da Malha Sul se encerrando em fevereiro de 2027, o prazo que se encerra em 30 de setembro representa uma das últimas etapas de participação pública antes da ANTT consolidar a modelagem da concessão, que definirá a infraestrutura ferroviária da Região Sul para as próximas três décadas.
