A análise da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) sobre as obras de duplicação da BR 470 destaca problemas em dois pontos cruciais: a deterioração da pista já concluída e a lentidão na finalização da obra. O estudo, realizado pelo engenheiro Ricardo Saporiti, revela que, apesar das medidas técnicas aplicadas em trechos projetados sobre solo instável, já são visíveis adensamentos nas bases de pavimento das novas pistas nos lotes 1 e 2.
“O trabalho confirma a percepção do usuário quanto à qualidade do serviço entregue, muito aquém do esperado e que não condiz com a importância deste corredor logístico essencial para Santa Catarina”, comentou o presidente da Fiesc, Mario Cesar de Aguiar.
Elaborado no início de setembro, o documento analisa a situação das obras de duplicação, restauração da pista existente, implantação de ruas laterais, e a construção de pontes e viadutos ao longo de 73,2 quilômetros, abrangendo os municípios de Navegantes, Ilhota, Gaspar, Blumenau e Indaial, divididos em quatro lotes. Saporiti alerta que, dado o atual ritmo das obras nos lotes 3 e 4, o cronograma de conclusão não será respeitado. “Considerando o andamento atual, especialmente entre Blumenau e Indaial, o lote 4 pode levar seis anos e dois meses para ser finalizado, o que indica a necessidade de uma renegociação urgente do contrato”, afirmou.
Entre os principais obstáculos para o avanço das obras nos lotes 3 e 4 estão as desapropriações de imóveis e a realocação da tubulação da SCGás. Saporiti ressalta que os trabalhos relacionados à realocação de aproximadamente 6 mil metros de tubulação de gás natural têm impactado negativamente o progresso das obras rodoviárias, especialmente no lote 3.
