A Polícia Federal investiga Paulo Guedes, ex-ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro, por suposta ligação com a empresa OnilX, que é acusada de calote em investidores. Guedes e o empresário Fábio Lino, dono da OnilX, estão entre os investigados por crime contra o sistema financeiro.
O inquérito, que tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, foi autuado em 10 de fevereiro deste ano e inclui outras dez pessoas. O foco principal da investigação é Fábio Lino, que teria utilizado a figura de Paulo Guedes para conferir legitimidade às operações da empresa.
De acordo com informações, Guedes tinha um contrato de consultoria com a OnilX e teria participado de reuniões com potenciais investidores, além de ter sua imagem utilizada em materiais de divulgação. A empresa, que enfrenta problemas com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), já acumulou 108 ações judiciais de investidores entre 12 de junho e 10 de setembro, que alegam dificuldades em resgatar valores aplicados em produtos relacionados a criptomoedas e stablecoins.
Os investidores exprimem preocupações sobre possíveis práticas de pirâmide financeira, já que muitos afirmam não conseguir recuperar seus depósitos, apesar de promessas de alta liquidez. A OnilX nega as acusações e diz que opera regularmente no mercado de ativos virtuais.
Investigação e repercussão
O advogado de Paulo Guedes, Ticiano Figueiredo, juntamente com Pedro Ivo Velloso, também está defendendo Fábio Lino no inquérito. Até o momento, a defesa não se manifestou sobre as alegações feitas contra seus clientes.
Histórico de ações da CVM
A OnilX foi alvo de uma stop order da CVM no início deste ano devido à oferta irregular de valores mobiliários. A empresa responde a mais de cem processos nas Justiças dos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Alagoas e Pará, onde investidores expressam que foram lesados.
