Os dados mais recentes do censo do IBGE revelam que o crescimento populacional nas cidades litorâneas de Santa Catarina superou o dobro nos últimos 12 anos, em contraste com as regiões Oeste, Serrana e Planalto Norte, que experimentam perda de habitantes. Essa realidade tem gerado preocupações sobre o modelo de desenvolvimento do estado, que até então se baseava em um equilíbrio regional.
A industrialização de Santa Catarina, impulsionada por uma forte coesão social e pela imigração dos séculos 19 e 20, permitiu que o estado se destacasse tanto nacional quanto internacionalmente. Entretanto, o fenômeno da litoralização, que se intensificou na última década, ameaça reverter esse quadro. Este processo é caracterizado por uma migração crescente, tanto interna quanto externa, atraindo trabalhadores, novos empresários e aposentados para as cidades litorâneas.
Para evitar que esse desenvolvimento regionalmente harmônico se torne uma realidade distante, é fundamental implementar medidas que contrabalançam essa tendência. A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) destaca a importância de investimentos em infraestrutura, além de sugerir que políticas de incentivos fiscais e financeiros sejam direcionadas para as regiões menos favorecidas.
Essas iniciativas são essenciais para fomentar o setor industrial, gerar empregos e promover o desenvolvimento econômico e social de todas as regiões catarinenses. A proposta aponta para uma necessidade urgente: garantir assim a diversificação e distribuição regional da riqueza, evitando uma maior sobrecarga na infraestrutura já comprometida das áreas litorâneas.
*Mario Aguiar, presidente da Fiesc
População do litoral cresce mais que a média do estado
