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Mercopar discute futuro da Malha Sul e impacto no transporte da indústria gaúcha

Evento destaca a importância da Malha Sul para o desenvolvimento econômico da Serra Gaúcha e propõe soluções para melhorar o transporte ferroviário na região.

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Mercopar discute futuro da Malha Sul e impacto no transporte da indústria gaúcha

Debate na Mercopar traz propostas para a Malha Sul e seu impacto na indústria gaúcha

Na quinta-feira (22), durante a 35ª Mercopar, ocorreu o painel “O Futuro nos Trilhos: Como a Malha Sul vai Conectar a Indústria Gaúcha”. O evento, promovido pelo BRDE em parceria com MobiCaxias, Amesne, Bento+20, Simecs, CICS Serra, Cisga, Movergs e CIC Caxias, reuniu representantes do setor produtivo, do banco de fomento e do governo do Rio Grande do Sul para discutir o futuro da malha ferroviária na região.

O prazo da concessão atual da Malha Sul, operada pela Rumo, termina em fevereiro de 2027. Durante o painel, foi revelado que o contrato pode ser prorrogado por dois anos, até 2029, enquanto um novo modelo está em desenvolvimento e atualmente em audiência pública na ANTT. O novo modelo dividirá os 4.250 quilômetros da malha em três corredores: Paraná–Santa Catarina (1.502 km), Rio Grande (880 km) e Mercosul (1.866 km).

Leonardo Busatto, diretor de Planejamento do BRDE, expressou a necessidade de criar um novo modelo de ferrovias que atenda às demandas do setor. O atual modelo proposto pelo governo federal prevê que o bloco do Paraná, superavitário, gere R$ 8 bilhões em outorgas, cobrindo um déficit de R$ 4 bilhões nos trechos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e enviando um excedente de R$ 3,8 bilhões para Brasília.

Em resposta, os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná solicitaram ao BRDE um estudo técnico que sugere um modelo mais equilibrado, onde os recursos gerados pela malha fiquem reinvestidos no setor ferroviário do Sul, evitando que a concessão sirva apenas para cobrir déficits. Busatto defendeu que os recursos das ferrovias devem ser utilizados somente para financiar a infraestrutura ferroviária.

Urgência para o setor produtivo da Serra Gaúcha

A urgência para a reconstrução da malha ferroviária é sustentada pela realidade econômica da Serra Gaúcha, que abriga o segundo maior polo metalmecânico do Brasil e atualmente depende quase que exclusivamente do transporte rodoviário. A única conexão ferroviária da região foi interrompida por enchentes em 2024, deixando apenas um trecho de 900 quilômetros entre Cruz Alta e o Porto do Rio Grande em funcionamento.

Marcelo Dondé, representante da Mobilização Regional Serra Gaúcha, ressaltou que a sobrevivência das empresas na região está atrelada à restauração da malha ferroviária. Dondé exemplificou um teste realizado em 2022 que demonstrou uma redução de 40% nos custos logísticos quando os produtos foram transportados de caminhão até Sumaré e, em seguida, de trem até Rondonópolis, no Mato Grosso.

Ruben Bisi, diretor de Relações Institucionais da Marcopolo, destacou o impacto da dependência do transporte rodoviário, que, conforme estimativas, resulta na movimentação de 1,5 milhão de toneladas de aço por caminhão, com 46 mil veículos percorrendo as rodovias a cada ano. Isso coloca o custo logístico gaúcho entre os mais altos do mundo.

Clóvis Magalhães, secretário de Logística e Transportes do Rio Grande do Sul, criticou a atual gestão da concessão como um desinvestimento e argumentou contra a segmentação proposta pelo modelo federal, que visa criar concessões independentes e que ele acredita comprometeriam a viabilidade econômica das operações.

Bruno Tavares

Desenvolvedor Web

Bruno Tavares é redator esportivo, empreendedor digital e especialista em produção de conteúdo para a internet. No Radar Sul, acompanha o futebol brasileiro e internacional, a Seleção Brasileira, os bastidores dos clubes e o mercado da bola, produzindo notícias claras, diretas e relevantes para o torcedor. Também atua com SEO e estratégias digitais desde 2008.

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