A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou queda pelo terceiro mês consecutivo em outubro, com uma redução de 0,8% em relação a setembro, já descontados os efeitos sazonais. O indicador, medido mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), atingiu 103,6 pontos, o menor nível desde janeiro deste ano.
Essa diminuição reflete a crescente cautela dos consumidores em relação ao mercado de trabalho e às condições de consumo. Todos os componentes do índice mostraram recuo, especialmente o momento para compra de duráveis, que caiu 1,8%, representando a terceira retração consecutiva e o recuo mais acentuado nesse período. A renda atual sofreu a menor queda do mês, de 0,3%, mas já acumula cinco resultados negativos consecutivos.
Apesar da desaceleração recente, o indicador geral aumentou 2,2% em relação a outubro de 2025. O destaque positivo foi o momento para compra de duráveis, que cresceu 14% na comparação anual. Essa percepção mais favorável é atribuída à menor pressão inflacionária sobre esses bens. Em setembro, a inflação acumulada em 12 meses para o grupo de duráveis foi de 1,1%, contrastando com a variação de 4,5% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
No entanto, a redução do indicador demonstra que as condições atuais das famílias estão impactando as decisões de compra, mesmo diante da evolução mais favorável nos preços dos produtos. Embora o mercado de trabalho continue a apresentar um quadro positivo, com a taxa de desocupação próxima do menor patamar histórico, as expectativas dos consumidores permanecem cautelosas. O componente de emprego atual caiu 0,7% em outubro, sendo a primeira queda mensal desde abril, embora tenha se mantido 1,5% acima do índice do ano anterior.
A percepção sobre a segurança no emprego também mostra sinais de enfraquecimento. Atualmente, 42,7% das famílias acreditam que este é o melhor momento para conseguir ou manter um emprego, percentual que diminuiu em relação a levantamentos anteriores. Na avaliação da perspectiva profissional, 48% dos consumidores ainda mantêm uma percepção positiva, o menor percentual desde setembro de 2022.
