A insatisfação dos empresários industriais com a lucratividade atingiu o maior nível desde a pandemia, conforme a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI). No terceiro trimestre, o índice de satisfação com a margem de lucro caiu 1,3 ponto, alcançando 42,2 pontos, o menor valor desde o segundo trimestre de 2020.
“Essa insatisfação reflete uma maior pressão de custos, em parte por conta da guerra no Oriente Médio. Além disso, há redução da demanda e, consequentemente, do faturamento das empresas, fatores que impactam negativamente o lucro”, explica Marcelo Azevedo, gerente de análise econômica da CNI.
Ademais, os industriais demonstraram descontentamento também com o acesso ao crédito e com a situação financeira das empresas, cujos índices caíram para 39,4 pontos e 47,4 pontos, respectivamente.
O índice que mede a evolução do preço médio dos insumos e matérias-primas consumidos pela indústria recuou 3,6 pontos, para 60,5 pontos, embora ainda permaneça acima da linha divisória de 50 pontos, indicando uma alta dos preços, mas em um ritmo menor.
A elevada carga tributária continua sendo o principal problema para os empresários da indústria, com 37,2% dos entrevistados citando os impostos como um dos maiores obstáculos, um aumento de 3,9 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.
Além disso, a percepção sobre a demanda interna insuficiente aumentou, passando de quarto para o segundo lugar entre as principais preocupações, mencionada por 29,6% dos empresários, um aumento de 3 pontos percentuais no período. Em terceiro lugar aparecem as altas taxas de juros, que foram citadas por 24,3% dos entrevistados.
Pelo terceiro mês consecutivo, o índice que compara o estoque efetivo ao programado pelos empresários subiu. Em setembro, o indicador cresceu 0,4 ponto, alcançando 50,8 pontos, o maior nível em quase três anos.
Os indicadores também revelam um enfraquecimento da atividade industrial. O índice de evolução da produção ficou em 46,7 pontos em setembro, abaixo da linha divisória de 50 pontos, sinalizando uma queda em relação a agosto. O indicador que mede o número de empregados fechou o mês com 48 pontos, indicando uma percepção de redução dos postos de trabalho no setor.
Contrapõe-se a essa tendência a Utilização da Capacidade Instalada (UCI), que subiu 1 ponto percentual, atingindo 70%, igual ao mesmo período do ano anterior.
Os índices de expectativas pouco se alteraram na transição de setembro para outubro e permanecem abaixo das médias históricas:
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Expectativa de demanda: +0,3 ponto, para 51,5 pontos;
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Expectativa de compras de insumos e matérias-primas: 50,4 pontos;
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Expectativa de evolução do número de empregados: -0,5 ponto, para 48,7 pontos;
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Expectativa de quantidade exportada: +0,3 ponto, para 49,2 pontos.
Os resultados indicam uma projeção de melhora da demanda por produtos industriais e aumento na compra de insumos nos próximos seis meses, embora também sinalizem uma possível queda no número de empregos e no volume exportado. O indicador acumula uma perda de 3,3 pontos em 2026, após quatro quedas consecutivas.
