No painel “O Futuro da Educação”, realizado no dia 22 de outubro durante o Tecnopuc Experience, especialistas abordaram a necessidade de uma transformação educacional em resposta ao avanço tecnológico e às mudanças sociais. A discussão, mediada por Karen Sica, coordenadora do Tecnopuc EduX Hub, contou com a participação de Cheila Milczarek, diretora da regional Porto Alegre do Marista Brasil; Leonardo Franke, CEO da Casa da Vida AftersCOOL; e Debora Conforto, líder da equipe de disciplinas online da PUCRS.
Os painelistas concordaram que a educação deve deixar de lado modelos passivos de ensino e colocar o estudante no centro do processo, integrando a tecnologia de maneira que preserve as relações humanas. O foco é tornar a educação um espaço relevante e interativo, onde a experiência do aluno é valorizada.
Desafios e Oportunidades na Educação
Cheila Milczarek destacou a desconexão entre a realidade dos alunos e a dos adultos que atuam na educação. Ela enfatizou a importância de criar um ambiente escolar que seja significativo para os jovens, ressaltando que o acesso ao conhecimento se expandiu além dos muros da escola.
Leonardo Franke propôs o conceito de “Cidade Educadora”, onde espaços urbanos, como museus e instituições, são utilizados para o aprendizado colaborativo, semelhante à abordagem de startups que experimentam soluções rapidamente. Ele defendeu a criação de ambientes de aprendizagem seguros que promovam a conexão humana entre educadores e alunos.
O Papel da Inteligência Artificial
Debora Conforto abordou o impacto da Inteligência Artificial (IA) na educação, ressaltando que a tecnologia pode democratizar o acesso ao conhecimento, mas apresenta riscos como o imediatismo e a dependência de respostas instantâneas. Ela alertou sobre a possibilidade de “desnutrição cognitiva”, onde a rápida entrega de informações afeta a construção do conhecimento pelos estudantes.
A especialista afirmou que o ensino deve evoluir para avaliar o desenvolvimento de competências, abandonando a memorização e promovendo a cultura de aprendizagem, onde o aluno é protagonista e o educador atua como mentor.
Repensando a Formação Docente
Outro tema abordado foi a necessidade de redefinir a formação de professores. Cheila Milczarek apontou que, apesar do aumento na formação docente no Brasil, os resultados educacionais ainda são insatisfatórios. Ela propôs parcerias interinstitucionais entre educação básica, universidades e centros de inovação.
Os “três P’s” para a construção da escola do futuro foram destacados por Cheila:
- Projetar: definir claramente os objetivos educacionais;
- Preparar: desenvolver habilidades para um futuro incerto;
- Proteger: garantir a capacidade crítica dos alunos.
O Novo Papel do Estudante
A mediadora, Karen Sica, concluiu que o futuro da educação depende de um compromisso coletivo para transformar o ensino, além de abordar desigualdades de acesso e engajamento estudantil. Ela enfatizou que os alunos devem se tornar questionadores e não apenas receptores de informações, destacando que a tecnologia deve ser utilizada para ampliar a capacidade de pensamento dos estudantes.
Sica reforçou que o verdadeiro protagonismo do aluno reside na capacidade de transformar informações em conhecimento e ações, ressaltando que o futuro educacional deverá ser cada vez mais tecnológico, mas com um forte componente humano.
