O deputado estadual eleito pelo PL de Santa Catarina, Bruno Souza, propôs consultar a população sobre a possibilidade de separação do Sul do Brasil após a derrota de Flávio Bolsonaro nas eleições. A proposta tem gerado controvérsias, principalmente por sua inadequação ao contexto constitucional, uma vez que a Constituição brasileira estabelece a união indissolúvel da Federação.
Souza, que foi reeleito, parece desviar seu foco das funções tradicionais de um legislador, como fiscalizar o Executivo e discutir temas relevantes para o estado, em favor de um projeto inviável. A Constituição Brasileira, em seus artigos 1º e 60, protege a forma federativa, e um plebiscito acerca da reorganização de estados deve seguir certas normas, o que dificulta a ideia de convocar uma consulta para promover a separação de maneira unilateral.
Apesar de Flávio Bolsonaro ter vencido nos três estados do Sul, uma significativa parcela da população sulista votou em Luiz Inácio Lula da Silva. Souza tem sido criticado por sua declaração de que aceitaria nordestinos em Santa Catarina desde que não votassem no PT, o que levanta questões sobre identidade regional e pertencimento político.
A proposta de separação evoca um momento histórico como a Revolução Farroupilha, que, apesar de sua relevância no passado, não é comparável aos atuais desafios eleitorais. A ideia de romper o Sul do Brasil para afirmar uma identidade regional é vista como uma simplificação de um contexto complexo que envolve migrações internas e uma economia interligada.
Bruno Souza tem o direito de expressar suas opiniões, mas a responsabilidade que vem com o cargo de deputado exige um compromisso com questões mais pragmáticas e construtivas para Santa Catarina. Problemas reais aguardam soluções e a proposta de um plebiscito para a separação não parece alinhar-se com essa necessidade.
