A previsão de chuva entre 29 de outubro e 2 de novembro exige atenção dos produtores de soja, milho e trigo no Brasil. Segundo o Meteored, enquanto a umidade pode beneficiar a germinação em áreas com déficit hídrico, o excesso de água pode atrasar operações agrícolas e prejudicar a qualidade dos cereais de inverno no Sul do país.
No levantamento divulgado em 26 de outubro, a semeadura da soja alcançava 42,8% da área prevista no Brasil, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O avanço ocorre em meio a condições climáticas distintas entre as regiões produtoras, impactando o ritmo do plantio e da colheita.
Plantio da soja e colheita do trigo no Sul
Em Mato Grosso, a semeadura da soja avançou em todas as macrorregiões do Estado. Em Goiás, a estiagem e as temperaturas elevadas interromperam os trabalhos antes do retorno localizado das chuvas. No Mato Grosso do Sul, períodos mais secos permitiram acelerar as operações agrícolas.
No cenário nacional, o milho de primeira safra estava com 40% da área semeada, com a implantação das culturas dependendo das condições de campo. No Paraná, o boletim do Departamento de Economia Rural (Deral), publicado em 29 de outubro, indicou que 62% da área prevista para a soja já havia sido plantada, com 88% das lavouras em boas condições.
Ainda que os dados sejam positivos, a distribuição das precipitações deve ser monitorada, pois a avaliação da umidade do solo é fundamental, especialmente em áreas recém-semeadas ou que já apresentam excesso de umidade.
Redução da produção de trigo no Paraná
No Paraná, a estimativa de produção de trigo foi reduzida para 1,9 milhão de toneladas, conforme o Deral em 29 de outubro, representando uma queda de 34% em relação ao ano anterior. A colheita do trigo paranaense alcançou 88% da área cultivada. Em Santa Catarina, a umidade tem limitado os trabalhos de colheita. Já no Rio Grande do Sul, as condições secas recentes têm permitido acelerar a retirada dos grãos das lavouras. A cevada no Paraná também progrediu na colheita, atingindo 54% da área, com produção estimada em 492 mil toneladas.
Em Santa Catarina, as lavouras de trigo de ciclo mais tardio permanecem entre as fases de enchimento de grãos e maturação, e novas chuvas podem dificultar a secagem no campo, prolongando a exposição dos grãos maduros às condições de umidade.
Impactos da previsão do tempo
Para os dias 29 e 30 de outubro, a previsão indica instabilidade no Centro-Oeste, Sudeste e parte do Sul, com possibilidade de acumulados superiores a 50 milímetros em 24 horas em algumas regiões. Esta condição requer atenção especial onde a precipitação pode ser intensa e desuniforme.
Diante desse cenário, o planejamento das atividades agrícolas deve considerar a previsão atualizada, o estágio das plantas e as condições do terreno. A presença de água na superfície não necessariamente garante a disponibilidade de oxigênio e condições adequadas para o desenvolvimento das raízes.
No Paraná, onde 94% da área prevista para o milho já estava semeada, os produtores devem monitorar a emergência das plantas e possíveis sinais de encharcamento. Em Santa Catarina, o planejamento da colheita deverá levar em conta as janelas de tempo seco disponíveis, sendo essencial para maximizar as oportunidades de plantio e colheita, minimizando os efeitos do excesso de umidade sobre as lavouras.
