O segundo e último debate entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado na sexta-feira (23), abordou temas cruciais como economia, segurança pública, saúde e educação, a poucos dias do segundo turno das eleições presidenciais, agendado para domingo (25).
Transmitido pela TV Globo, com mediação de César Tralli, o debate se destacou pela abordagem mais moderada dos candidatos. Flávio se concentrou em apresentar propostas para um possível governo, enquanto Lula ressaltou as realizações de sua administração e buscou esclarecimentos do senador. Os quatro blocos foram marcados por trocas de acusações e pedidos de direito de resposta.
Economia, salário mínimo e endividamento
Flávio criticou os altos gastos públicos e a perda do poder de compra dos brasileiros, prometendo reajustar o salário mínimo e as aposentadorias acima da inflação, além de refinanciar dívidas de consumidores e empresas através da Caixa Econômica Federal. Lula defendeu a política de valorização salarial durante seus mandatos e anunciou a intenção de aumentar a compra de dívidas bancárias com descontos aos consumidores.
Segurança pública e morte de menina de cinco anos
Flávio propôs classificar facções e milícias como organizações narcoterroristas, aumentando as penas e reduzindo a maioridade penal para 14 anos em casos de estupro. Lula, por sua vez, apresentou a criação de um Ministério da Segurança Pública e enfatizou a necessidade de fortalecer as forças federais. O debate esquentou com a menção à morte de Ana Clara, de cinco anos, durante uma ação policial em Niterói (RJ), em 2021. A mãe da criança estava na plateia e Lula questionou Flávio sobre sua defesa ao policial envolvido, que ainda não foi julgado.
SUS, investimentos e pandemia
Flávio criticou as filas no SUS e prometeu manter os investimentos na saúde, especialmente no Instituto Nacional de Câncer, afirmando que cortes de despesas seriam direcionados à burocracia e à corrupção. Lula requereu esclarecimentos sobre como o senador ampliaria os serviços em um cenário de cortes orçamentários e criticou a gestão da pandemia pelo governo anterior.
Educação, licença-maternidade e Pé-de-Meia
Flávio criticou a política de financiamento do ensino integral, propondo vale-creche e cursos de tecnologia, além de garantir a manutenção do programa Pé-de-Meia. Lula prometeu expandir o ensino integral e questionou Flávio sobre seu voto contra a ampliação da licença-maternidade, reconhecendo o equívoco.
Banco Master, Lulinha e quebra de sigilos
Flávio mencionou investigações envolvendo Lulinha, filho do presidente, e levantou questões sobre uma suposta garrafa de uísque de R$ 500 mil. Lula, em resposta, questionou a relação do senador com um banqueiro e destacou transações envolvendo R$ 134 milhões para a cinebiografia de Jair Bolsonaro. Ambos os candidatos também incentivaram a divulgação de suas informações bancárias e fiscais.
Infraestrutura e propostas para o Sul
Flávio prometeu expandir a malha ferroviária, com conexões entre o Centro-Oeste e o oeste do Paraná, além de investimentos nas rodovias de Santa Catarina e medidas de prevenção a enchentes no Rio Grande do Sul. Lula destacou obras de sua gestão e o fortalecimento das exportações.
Ofensas e direitos de resposta
Durante o debate, Flávio fez referências despectivas a Lula, que exigiu respeito à sua trajetória. As ofensas levaram a pedidos de direito de resposta, e o mediador teve que intervir.
Considerações finais
Flávio Bolsonaro prometeu restaurar o poder de compra e fortalecer a segurança, concluindo com um convite à oração antes da votação. Luiz Inácio Lula da Silva destacou suas conquistas e pediu apoio para a continuidade de sua presidência, enfatizando a importância da eleição para a democracia.
Assista à íntegra do debate:
