A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) lançou nesta quarta-feira, 28 de outubro, o Atlas de Risco a Inundações da Região Sul. O documento foi apresentado durante o V Encontro Nacional de Desastres e o II Encontro Brasileiro de Hidrologia Estatística, realizados em Fortaleza. O estudo revela que 878 municípios da região enfrentam risco de inundações ou enxurradas, representando 74% dos 1.191 municípios do Sul.
Do total, 115 municípios foram classificados com risco muito alto, 204 com risco alto, 290 com risco médio e 269 com risco baixo. As duas classes mais críticas reúnem 319 municípios, ou seja, mais de um quarto dos municípios da Região Sul.
A nova edição do atlas atualiza o Atlas de Vulnerabilidade a Inundações, lançado pela ANA em 2014, e inclui mapas e bases de dados que caracterizam a frequência e os impactos das inundações em áreas urbanizadas ao longo dos rios. As informações geradas pelo estudo são fundamentais para a prevenção de desastres, possibilitando a priorização de investimentos, ampliação do monitoramento e sistemas de alerta, e a elaboração de planos de contingência para proteger comunidades expostas a esses riscos.
A atualização acontece em um contexto de intensificação de eventos climáticos extremos, com evidências de que as mudanças climáticas podem aumentar a frequência e a intensidade de cheias e inundações.
Resultados por estado
O risco está distribuído pela região, mas com perfis distintos em cada estado:
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Santa Catarina: 266 de 295 municípios (90,2%) com risco identificado. Desse total, 55 têm risco muito alto, 79 alto, 77 médio e 55 baixo. O estado é particularmente vulnerável devido à combinação de chuvas intensas, relevo acidentado e ocupação urbana em áreas ribeirinhas.
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Rio Grande do Sul: 346 de 497 municípios (69,6%) apresentam risco. Destes, 43 têm risco muito alto e 82 alto. O estado já conta com um atlas específico, elaborado após cheias extraordinárias em anos anteriores.
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Paraná: 266 de 399 municípios (66,7%) estão em risco, com 17 classificados como muito alto, 43 alto, 105 médio e 101 baixo. Apesar da predominância dos riscos médio e baixo, 60 municípios estão nas duas classes mais críticas.
Bacias litorâneas
As bacias litorâneas estaduais de Santa Catarina e Rio Grande do Sul possuem 95 e 84 municípios, respectivamente, com risco alto ou muito alto. Outros rios como o Uruguai e o Iguaçu também destacam-se, tendo várias municipalidades em risco elevado. Essa distribuição é agravada pela urbanização ao longo dos principais rios.
Metodologia
O Atlas utiliza uma metodologia baseada em três abordagens complementares, incluindo a análise de áreas urbanizadas, dados de estações fluviométricas e a frequência de eventos registrados no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres. A classificação final considera a maior classe de risco entre os métodos aplicáveis, passando por revisão dos órgãos estaduais.
Serviço
A publicação do Atlas de Risco a Inundações da Região Sul está disponível online, oferecendo acesso a mapas interativos e tabelas de dados. Acesse as informações completas por meio do portal da ANA.
Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)
