A safra de tabaco sul-brasileira 2025/2026 totalizou 710.229 toneladas, considerando a produção do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, e os três tipos de tabaco cultivados: Virgínia, Burley e Comum. Este resultado representa uma redução de 1,3% em relação às 719.891 toneladas produzidas na safra anterior.
Do volume total, 639.471 toneladas são de tabaco Virgínia, com uma redução de 1,3% na comparação com a safra 2024/2025. O Burley somou 60.089 toneladas, com um crescimento de 0,8%, enquanto o Comum chegou a 10.669 toneladas, apresentando uma queda de 11,6%. O tipo Virgínia é o mais cultivado, representando cerca de 90% da produção da região. Os dados foram divulgados pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), obtidos por meio de pesquisas junto aos produtores de tabaco.
A área cultivada no Sul do Brasil diminuiu de 309.982 para 308.932 hectares, um recuo de 0,3%. O número de famílias produtoras caiu de 138.020 para 135.972, uma redução de 1,5%, enquanto o número de estufas passou de 160.912 para 160.157, o que representa queda de 0,5%. A produtividade média da região ficou em 2.299 kg/ha, 1% abaixo dos 2.322 kg/ha registrados na safra anterior.
A análise da Afubra indica que a safra foi marcada por um comportamento heterogêneo entre as regiões produtoras. O presidente da Afubra, Marcilio Laurindo Drescher, destacou que o resultado geral deve ser considerado com as diferenças regionais.
“Foi uma safra bastante heterogênea. Tivemos regiões com bom desenvolvimento das lavouras e condições favoráveis em momentos importantes, mas também áreas prejudicadas por diferentes eventos climáticos. Por isso, a realidade não foi a mesma para todos os produtores”, afirmou.
A qualidade também variou conforme a posição da folha na planta e o período de colheita. Em diversas localidades, o tabaco de baixo pé teve maior incidência de folhas verdes, escuras ou de menor valor comercial. Já as folhas de meio pé e ponteira, quando colhidas em condições favoráveis, alcançaram melhor padrão de qualidade.
Desempenho nos estados
O Rio Grande do Sul encerrou a safra com 286.603 toneladas, uma redução de 5,5% em relação ao ciclo anterior, representando 40,4% da produção sul-brasileira. A área cultivada no estado aumentou de 132.076 hectares, um crescimento de 0,2%, mas o número de famílias produtoras caiu 2,1%, totalizando 67.815. A produtividade média recuou 5,7%, passando de 2.302 para 2.170 kg/ha.
Em Santa Catarina, 40.656 famílias produtoras colheram 223.643 toneladas, com uma redução de 1,1%. Por outro lado, o Paraná foi o único dos três estados que registrou crescimento na produção total, com 27.501 famílias produtoras colhendo 199.983 toneladas, o que representa um aumento de 5,1%.
Comercialização e receita bruta
A comercialização da safra 2025/2026 enfrentou mais desafios do que no ciclo anterior. As compras iniciaram lentamente, com movimentações pontuais no final de 2025, mas ganharam maior abrangência a partir de janeiro de 2026.
Durante a safra, aumentaram os relatos de insatisfação com os preços e critérios de classificação. Em algumas regiões, houve cancelamentos de cargas, devolução de produtos e retenção parcial da produção, na expectativa de melhores condições de mercado.
No caso do tabaco Burley, a alta oferta e as incertezas do mercado internacional contribuíram para uma postura mais seletiva por parte das empresas.
A Afubra, juntamente com as Federações da Agricultura e dos Trabalhadores Rurais dos três estados do Sul, esteve em visita às unidades de compra das empresas fumageiras para acompanhar a comercialização, conferir os critérios de classificação, verificar preços e fortalecer o diálogo com os produtores.
Essas dificuldades geraram mobilizações de produtores em várias regiões. A principal manifestação ocorreu em 25 de maio de 2026, em Santa Cruz do Sul, reunindo fumicultores, lideranças sindicais e entidades representativas.
O preço médio da safra no Sul do Brasil foi de R$ 18,07/kg, uma redução de 10,8% em relação aos R$ 20,25/kg da safra anterior. Os valores médios por tipo foram de R$ 18,45/kg para o Virgínia, R$ 14,91/kg para o Burley e R$ 13,05/kg para o Comum.
A receita bruta dos produtores no Sul totalizou R$ 12,835 bilhões, uma queda de 11,9% frente aos R$ 14,575 bilhões da safra anterior. Desse total, o Rio Grande do Sul gerou R$ 5,071 bilhões; Santa Catarina, R$ 4,104 bilhões; e o Paraná, R$ 3,659 bilhões.
“A produção teve uma redução pequena, mas a queda no preço médio impactou diretamente na receita do produtor. Além disso, a comercialização foi difícil, com insatisfação relacionada a preços e critérios de classificação, o que afetou a renda das famílias produtoras”, ressaltou Drescher.
Expectativas para a safra 2026/2027
Apesar das dificuldades enfrentadas na comercialização do ciclo anterior, relatos indicam que em várias regiões a área plantada deve permanecer em níveis semelhantes. A instabilidade em outras atividades agropecuárias, especialmente na produção de grãos e leite, contribui para que o interesse pelo cultivo de tabaco se mantenha.
Além disso, observa-se a antecipação do plantio em algumas regiões, aumentando a exposição das lavouras a geadas, frio, umidade excessiva e dificuldades no desenvolvimento inicial.
“Após uma safra com desafios na comercialização e queda nos preços, é fundamental buscar um equilíbrio maior entre oferta e demanda. O produtor deve dimensionar sua lavoura de acordo com a realidade da propriedade e priorizar a produção de tabaco de qualidade, assegurando a sustentabilidade e rentabilidade da atividade”, concluiu Drescher.
A estimativa inicial de produção da safra 2026/2027 será finalizada em novembro pela Afubra.
