A Receita Federal, em conjunto com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MPPR (Ministério Público do Paraná), cumpriu 64 mandados de busca e apreensão em 28 municípios de quatro estados, incluindo Londrina. As ações são parte da segunda fase da Operação Enxágue e da Operação Catéter, que investigam suspeitas de sonegação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), falsidade ideológica e lavagem de dinheiro no comércio de subprodutos de origem animal.
A Justiça determinou o sequestro e a indisponibilidade de bens, direitos e valores totalizando R$ 271,5 milhões. Essas medidas visam garantir a reparação de prejuízos aos cofres públicos e o eventual perdimento de recursos obtidos por meio dos crimes investigados.
Os mandados foram cumpridos nas seguintes localizações: Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Londrina liderou com 23 mandados. Os municípios de Maringá (15 mandados) e São Paulo (15 mandados) também foram impactados, além de outras cidades como Arapongas, Cambé e Rolândia.
As investigações revelaram que grupos organizados utilizavam empresas de fachada, conhecidas como “noteiras”, para emitir notas fiscais sem respaldo em operações reais. O esquema permitiu gerar créditos fictícios de ICMS e transferir dívidas tributárias para empresas sem patrimônio.
No total, R$ 271,4 milhões dos bens e valores submetidos a medidas judiciais foram divididos entre R$ 143,3 milhões da Operação Enxágue e R$ 128 milhões da Operação Catéter. A segunda operação permitiu o sequestro de mais de 80 imóveis, incluindo um apartamento em São Paulo avaliado em R$ 13,2 milhões, além de 103 veículos e ativos financeiros avaliados em cerca de R$ 63,8 milhões.
A primeira fase da Operação Enxágue, iniciada em 20 de novembro de 2020, revelou um esquema de criação de empresas de fachada desde 2006, incluindo pessoas com identidades falsas e até falecidas. A investigação se ampliou ao longo do tempo, identificando pelo menos cinco núcleos envolvidos na fraude.
As movimentações financeiras investigadas totalizaram R$ 1,3 bilhão, apesar das empresas partícipes não possuírem estrutura compatível com o volume das transações. Além disso, a Receita Federal identificou pelo menos 35 empresas de fachada associadas ao esquema e está em atividade para atualizar e cobrar os créditos tributários devidos.
As investigações continuam, com medidas judiciais que incluem restrições de contato entre investigados e testemunhas, além da proibição de deixar as comarcas sem autorização judicial.
