A Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou, na manhã desta segunda-feira, a Operação Retomada, visando desmantelar um grupo criminoso envolvido no transporte e distribuição de grandes quantidades de drogas entre estados brasileiros. A ação é coordenada pelo Núcleo Regional de Pato Branco do Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc).
Foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, além de medidas judiciais para o bloqueio de bens e valores relacionados aos investigados.
A operação ocorre em nove cidades de três estados. No Paraná, as ações estão concentradas em Planalto, Guarapuava e São José dos Pinhais. Em Santa Catarina, as diligências abrangem São Bento do Sul, Palhoça, Jaraguá do Sul, Balneário Piçarras e Lauro Müller. No Rio Grande do Sul, a operação também se estende a Porto Alegre.
### Investigação inicial
As investigações tiveram início em agosto de 2025, quando a Polícia Rodoviária Federal (PRF) abordou um veículo na BR-158 em Pato Branco, transportando 308,56 quilos de maconha e cerca de 3,6 quilos de substâncias derivadas da cannabis. O motorista foi preso em flagrante, mas liberado após a prisão não ser ratificada no plantão policial, alegando falta de fundada suspeita.
Cinco dias depois, a Justiça decretou a prisão preventiva do motorista, que foi localizado e detido novamente em São Bento do Sul, durante uma operação conjunta das polícias civis do Paraná e de Santa Catarina.
### Delações e descobertas
Inicialmente batizada de Operação Retomada, o nome se refere à continuidade das investigações após a liberação do motorista, permitindo a identificação de outros integrantes do grupo criminoso. A investigação revelou que a apreensão em agosto não foi um caso isolado; o mesmo motorista havia feito duas outras entregas anteriormente, totalizando aproximadamente 1,05 tonelada de maconha em questão de dias.
### Logística e estrutura criminosa
Investigações apontaram que o município de Planalto, no Sudoeste do Paraná, funcionava como um ponto de armazenamento e carregamento de drogas. A PCPR identificou indivíduos responsáveis pela preparação das cargas, transporte e distribuição das substâncias em Santa Catarina.
Além disso, a organização utilizava veículos conhecidas como “batedores” para monitorar a presença policial nas rodovias e realizar alterações nas rotas, dificultando a fiscalização.
De acordo com a delegada Franciela Alberton, a operação também identificou uma alteração nas rotas utilizadas por grupos criminosos, agora migrando parte da logística do Oeste do Paraná para o Sudoeste. Essa região não é mais apenas um corredor de transporte, mas também uma possível rota de entrada de drogas no país.
### Objetivo amplificado
Com a Operação Retomada, a Polícia Civil busca não apenas efetuar prisões e apreensões, mas também bloquear o patrimônio dos investigados. A Justiça já autorizou a indisponibilidade de ativos dos principais envolvidos, visando impedir que recursos sejam utilizados para financiar atividades criminosas.
A operação conta com o apoio de equipes da Polícia Civil de Santa Catarina e do Denarc do Rio Grande do Sul, além de diversas unidades da Polícia Civil do Paraná. As investigações continuam, com uma análise aprofundada dos materiais apreendidos e identificação de outros possíveis envolvidos.
