Desafios do Rio Grande do Sul: PIB de R$ 650,1 bilhões e Crescimento Abaixo da Média Nacional
O Rio Grande do Sul, com um PIB nominal de R$ 650,11 bilhões, é a 5ª maior economia do Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estado destaca-se por seu setor agropecuário competitivo, parque industrial diversificado e um sistema universitário qualificado.
No entanto, o crescimento econômico enfrenta desafios. O estado tem registrado um desempenho abaixo da média nacional e de seus vizinhos, Santa Catarina e Paraná, nos últimos anos. De acordo com o professor do Programa de Pós-Graduação em Economia da UFRGS, Mauricio Weiss, “o Rio Grande do Sul tem perdido espaço na corrida frente aos seus pares sulistas” devido à migração de jovens para outras regiões, onde políticas de atração de empresas são mais agressivas.
A diminuição da taxa de fecundidade e o aumento da população idosa, conforme dados do Censo do IBGE, pressionam o mercado de trabalho e a produtividade do estado. Além disso, o passivo fiscal do Rio Grande do Sul é considerável, com gastos em aposentadorias superando os de ativos. O estado, que foi pioneiro na implementação de uma previdência universal nos anos 1980, enfrenta um desequilíbrio nas contas públicas que complica o crescimento econômico.
O agronegócio, apesar de ser o motor da economia gaúcha, agrava a dependência do clima. O estado responde por cerca de 70% da produção nacional de arroz e está entre os líderes na colheita de milho, soja e trigo. Contudo, a agricultura é vulnerável a secas severas, com 85% do território ocupado por atividades agrícolas. De acordo com o INPE, o Rio Grande do Sul é a região com maior incidência de secas nos últimos 30 anos, afetando diretamente o PIB.
Em 2022, enquanto o Brasil cresceu 3%, o PIB do Rio Grande do Sul caiu 4,5% devido à estiagem, enquanto em 2024, com enchentes, projetou-se um crescimento de 4,5%. No entanto, parte deste crescimento é necessário apenas para recuperar perdas anteriores, enfatizando a importância de investimentos em infraestrutura e prevenção climática.
A solução proposta por Weiss inclui diversificação da matriz produtiva, voltando-se para setores com maior valor agregado e promovendo tecnologia e inovação. Com uma dívida histórica elevada, o estado tem espaço fiscal limitado para investimentos diretos. A solução passa pela manutenção de controle de gastos e pela possibilidade de parcerias público-privadas, como a modernização de rotas para escoamento industrial.
Casos como o da estatal Ceitec, em Porto Alegre, mostram o potencial de atração de tecnologia e formação de mão de obra qualificada. A recente Reforma Tributária é vista como uma oportunidade para equilibrar a competição entre estados, favorecendo o Rio Grande do Sul, que enfrenta dificuldades orçamentárias para conceder incentivos fiscais.
Por fim, a retenção de talentos é crucial. O estado possui um parque universitário de excelência, mas enfrenta dificuldades na atração e permanência de novos moradores. A meta é criar condições favoráveis para a fixação de profissionais qualificados e enfrentar o desafio demográfico que impacta o crescimento econômico.
Fonte: IBGE
