O futebol feminino de base no Brasil está passando por uma fase de expansão significativa, com clubes e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ampliando competições, calendário e investimentos na formação de atletas. Marcelo Abreu, professor da Trevisan Escola de Negócios, ressalta que o crescimento da modalidade não apenas melhora a qualidade do futebol, mas também cria novas oportunidades de geração de receitas e a formação de jogadoras.
Em uma análise sobre o impacto de grandes eventos esportivos, Abreu destacou que a Copa do Mundo Feminina de 2027, que ocorrerá no Brasil, pode acelerar ainda mais esse movimento nas categorias de base. “É super importante contarmos mais histórias do futebol feminino”, declarou, enfatizando que a exposição de atletas e competições pode atrair mais meninas para o esporte.
Concentração de clubes na seleção sub-17
Sobre a seleção brasileira sub-17, que disputará o Mundial da categoria no Marrocos, Marcelo apontou que cerca de 78% das convocadas atuam em apenas quatro clubes: Flamengo, Corinthians, Ferroviária e São Paulo, sendo o São Paulo o maior fornecedor de jogadoras entre eles. Ele destaca que essa concentração evidencia a importância dos clubes formadores, mas também apresenta riscos, considerando a situação financeira complicada de algumas dessas associações.
A formação como investimento
A mentalidade em relação ao investimento nas categorias de base, já consolidada no futebol masculino, está começando a ser adotada pelos clubes femininos. Abreu menciona que dirigentes estão cada vez mais conscientes da necessidade de transformar a formação de jogadoras em uma estratégia de investimento, embora a venda de atletas por clubes de menor porte ainda seja um desafio, especialmente devido aos valores de mercado atuais, que são inferiores ao futebol masculino.
Estrutura e potencial no Brasil
O professor afirma que o Brasil já possui uma estrutura relevante para a formação de jogadoras. Ele cita o Campeonato Brasileiro Feminino Sub-17 como um dos maiores do país, além do projeto do SESI São Paulo, que conta com 20 unidades e aproximadamente 2.500 atletas, abrangendo tanto iniciação quanto desenvolvimento competitivo.
Impacto do novo calendário internacional
A mudança no calendário internacional também pode facilitar o desenvolvimento das seleções de base. A FIFA anunciou a realização de torneios mundiais anuais, e a CBF planeja uma programação mais extensa para as seleções sub-17 e sub-20, o que deve proporcionar mais tempo de treinamento e preparação. Marcelo acredita que isso pode contribuir significativamente para a formação de novas referências no futebol feminino.
A combinação de competições nacionais, maior exposição internacional e investimentos em formação pode aumentar o número de jogadoras profissionais e abrir novas oportunidades comerciais. O desafio agora é transformar esse crescimento em uma estrutura sustentável a longo prazo.
