A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu interromper o financiamento de publicações que monitoram casos de LGBTfobia e racismo no futebol brasileiro, conforme divulgado por Alícia Klein, do UOL, neste sábado.
A medida impacta diretamente o trabalho de dois núcleos de monitoramento: o Observatório da LGBTfobia no futebol, realizado pelo Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+, e o Observatório da Discriminação Racial no Futebol. O anuário sobre LGBTfobia, lançado em 2022, recebeu apoio financeiro da CBF, que, durante a gestão de Ednaldo Rodrigues, custeou integralmente a publicação. No entanto, sob a presidência de Samir Xaud, o financiamento passou a ser parcial em 2025, e para a edição de 2026, o coletivo foi informado da ausência de novo patrocínio.
Além do anuário, outras iniciativas propostas pelo grupo, como o II Seminário Baiano de Combate à LGBTfobia e o Festival LGBTricolor, também ficaram sem apoio financeiro.
Em resposta à reportagem, a CBF afirmou que está desenvolvendo estruturas e processos para avaliar projetos sociais. A entidade também declarou que, após o último repasse, não recebeu um projeto formal que apresentasse um escopo considerado adequado, nem uma prestação de contas detalhada sobre os recursos anteriormente destinados.
A situação é contraditória em relação às declarações anteriores de Samir Xaud sobre o compromisso da CBF com a diversidade. Em junho de 2025, durante o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, o presidente afirmou que a CBF estava em contato com o Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+ para desenvolver iniciativas que promovam um ambiente mais inclusivo no futebol brasileiro.
