Na segunda-feira (26), os mercados da Argentina sentiram o impacto do pessimismo dos investidores brasileiros, com a bolsa de valores local, o Índice MSCI Merval, fechando em queda de 3%. O movimento ocorreu após o Ibovespa registrar uma queda significativa de 13,88%, resultado de um clima econômico desfavorável no Brasil que não oferece suporte suficiente para absorver choques externos.
A taxa de câmbio no varejo também enfrentou alterações, aumentando 10 pesos no Banco Nación, alcançando 1.560 pesos, enquanto no mercado atacadista o valor era de 1.540 pesos. Este aumento representa o maior salto desde 24 de agosto.
Os títulos da dívida argentina caíram até 2,8%, elevando o risco-país, que subiu 8,2% segundo o indicador do JP Morgan, alcançando 765 pontos. Essa elevação não é atribuída apenas ao clima eleitoral no Brasil, pois o indicador já havia crescido 26% somente em outubro.
Economistas locais identificam três formas de contágio que uma deterioração nos indicadores brasileiros pode causar à Argentina: a primeira é comercial, pois o Brasil é o principal destino das exportações industriais argentinas, e um Real mais fraco tende a prejudicar setores, como o automotivo.
A segunda forma é financeira, refletida pela compressão do risco-país, com a reversão do prêmio regional apoiada por um spread elevado neste ano. Por último, o risco setorial é um fator crítico, afetando empresas com exposição ao Brasil e bancos, que lideraram uma recuperação no Merval na última sexta-feira.
Impactos no Mercado Livre
O Mercado Livre, uma empresa de comércio digital que não está no Merval, mas possui títulos no mercado internacional, também sentiu as consequências. Na mesma segunda-feira, o ADR da empresa, negociado em Nova York, caiu 7,81%, resultando em um preço de US$ 1.668,72. O BDR (MELI34) teve uma retração de 1,26%.
A dependência do Mercado Livre em relação ao Brasil é evidente. Segundo o último relatório financeiro trimestral da companhia, 52% de sua receita, equivalente a US$ 5,530 bilhões de um total de US$ 10,196 bilhões, foi gerada no país. A plataforma detém cerca de 35% do comércio eletrônico brasileiro, oferecendo serviços de vendas digitais junto com a infraestrutura financeira do Mercado Pago.
No estudo “Mapa do Consumo Brasileiro”, realizado pela fintech Klavi, o Mercado Livre foi destacado como a plataforma preferida nos estados de São Paulo (56,32%), Rio de Janeiro (52,05%), Santa Catarina (52,38%), Paraná (51,43%) e Rio Grande do Sul (48,43%).
