O futebol brasileiro enfrenta um cenário de alta rotatividade no comando técnico, refletido nas estatísticas recentes do Campeonato Brasileiro. Entre 2020 e 2025, foram registros de 138 trocas de treinadores, resultando em uma média de 23 mudanças por temporada. Em 2026, até a 28ª rodada, já ocorreram 18 novas demissões.
A demissão começa cedo
Nos últimos anos, a instabilidade foi evidenciada logo no início das competições. Em 2020, treinadores como Eduardo Barroca (Coritiba) e Ney Franco (Goiás) foram demitidos já nas primeiras rodadas. Em 2021, o cenário se repetiu com Alberto Valentim (Cuiabá) e Miguel Ángel Ramírez (Internacional), ressaltando a falta de paciência dos clubes.
Nem sempre na zona de rebaixamento
Curiosamente, as demissões não ocorrem unicamente nas últimas posições da tabela. Em 2020, Roger Machado deixou o Bahia na 12ª posição, e Vanderlei Luxemburgo foi demitido do Palmeiras enquanto o time ocupava o 7º lugar. Esses casos demonstram que diversos fatores, como expectativas e pressão, também influenciam as decisões dos clubes.
A estatística que dimensiona o problema
Dados indicam que, em média, um treinador permanece 5,8 meses em uma equipe da elite do futebol brasileiro. Essa média reflete uma realidade polarizada, com alguns técnicos como Abel Ferreira, do Palmeiras, mantendo-se por anos, enquanto outros mal completam uma temporada.
Trocas em 2026
Até a 28ª rodada de 2026, 18 treinadores já perderam seus cargos, incluindo atletas renomados como Fernando Diniz e Tite. Um exemplo notável é Luís Castro, que foi demitido do Grêmio após uma campanha no Brasileiro onde acumulou 36% de aproveitamento, apesar de ter conquistado o Campeonato Gaúcho.
Quando a troca vira um ciclo
Estudos mostram que 70,2% das equipes que mudaram de treinador ao menos três vezes durante uma edição do Brasileirão acabaram rebaixadas. Essa instabilidade gera um ciclo vicioso onde a pressão por resultados imediatos não permite que projetos sejam sustentados.
Brasileiros e estrangeiros: uma diferença de permanência
Levando em conta os trabalhos de técnicos na Série A entre 2019 e 2023, a duração média dos brasileiros foi de 138 dias, enquanto a dos estrangeiros ficou em 188 dias, sugerindo que, muitas vezes, os técnicos estrangeiros têm um tempo de espera maior.
O calendário também entra na discussão
O formato do calendário brasileiro, que abrange diferentes competições simultaneamente, agrava a situação. Treinadores precisam implementar suas filosofias rapidamente, mas são frequentemente confrontados com uma escassez de tempo para treinos adequados.
Custos de trocar o técnico
A troca de treinadores não é apenas uma questão de performance; envolve custos financeiros com rescisões e contratações. Recentemente, o Internacional teve que pagar R$ 300 mil ao Criciúma para contratar Eduardo Baptista, demonstrando que cada mudança de comando é um novo desafio a ser enfrentado.
Os clubes que conseguem esperar
Em meio à instabilidade, existem exemplos de continuidade, como o do Palmeiras, que mantém Abel Ferreira desde 2020, conquistando 11 títulos nesse período. O Bahia, com Rogério Ceni no comando desde 2023, também demonstra que a paciência pode resultar em sucesso.
A pergunta que permanece
Com base nas informações, a questão central é: demitir ou não demitir? A troca frequente se tornou uma resposta comum às crises enfrentadas pelos clubes, e o tempo que um treinador recebe para implementar suas ideias é frequentemente limitado. A reflexão crítica sobre essa dinâmica se mostra cada vez mais necessária no atual cenário do futebol brasileiro.
