A região Sul do Brasil concentra 20,6% das mil maiores empresas do país, superando as regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte, e ficando atrás apenas do Sudeste. Essa diversificação produtiva é refletida em dados das três unidades federativas: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que apresentam desempenhos económicos distintos.
Da receita líquida gerada pelas empresas da região, o Paraná responde por 44,7%, seguido por Santa Catarina, com 29,4%, e Rio Grande do Sul, com 26%. Essa hierarquia vinha sendo influenciada pela evolução do Produto Interno Bruto (PIB) divulgado pelo IBGE. Em 2025, a economia catarinense reportou o segundo maior crescimento do Brasil, enquanto a gaúcha registrou o segundo menor. Conforme Juliana Trece, coordenadora do núcleo de contas nacionais do FGV Ibre, “o Paraná ultrapassou o Rio Grande do Sul, que historicamente era o quarto maior PIB entre as unidades federativas, enquanto Santa Catarina superou a Bahia e ocupou o sexto lugar”.
O avanço de Santa Catarina e Paraná fica evidente na lista das seis maiores empresas da região. As duas maiores são catarinenses: a Bunge, gigante do agronegócio, e a WEG, referência na indústria mecânica, fundada em Jaraguá do Sul. No Paraná, destacam-se a Coamo, Lar e C. Vale, todas ligadas ao agronegócio, além da Copel, que atua no setor de energia elétrica.
Embora WEG e Copel não liderem em receita líquida na região, apresentam as maiores margens líquidas entre as seis principais empresas, registrando 16,6% e 10,3%, respectivamente. Alberto Kuba, CEO da WEG, destaca que a empresa superou pela primeira vez a marca de R$ 40 bilhões em faturamento, apesar de desafios como a elevação de tarifas nos Estados Unidos e problemas logísticos relacionados a guerras. “A empresa segue bem, porque gera mais de 60% de sua receita no exterior”, observa Kuba.
A taxa Selic, elevada nas últimas duas décadas, tem impactado o consumo das famílias e os investimentos em bens de capital. Trece explica que “quando os juros estão mais elevados, as empresas tendem a investir menos”. No entanto, nos primeiros meses de 2026, a economia do Rio Grande do Sul apresentou um crescimento de 2,2% no PIB, superando o crescimento de 1,1% do Brasil, com o setor agropecuário mostrando uma expansão significativa de 23,7%.
Estimativas do IBGE indicam uma expansão de 34,6% na sojicultura gaúcha em 2026, a maior taxa entre os Estados. Esse cenário positivo beneficia a indústria de transformação e o setor de transportes. Trece afirma: “Quando a agropecuária vai bem, impulsiona os outros segmentos”.
Por outro lado, Paraná e Santa Catarina apresentaram um início de 2026 mais modesto. No Paraná, alguns segmentos de sua indústria, como fabricação de produtos químicos, máquinas e equipamentos, e produtos de madeira, estão enfrentando retrações. Em Santa Catarina, as quedas são ainda mais amplas, atingindo os setores de veículos automotores, máquinas e equipamentos, e confecção de vestuário.
