Sete tornados foram confirmados na região Sul do Brasil entre os dias 2 e 7 de novembro. Três deles ocorreram no Rio Grande do Sul, sendo que os dois episódios mais recentes aconteceram na madrugada do dia 7, nos municípios de Santo Augusto e Palmeira das Missões, no Noroeste do estado.
No dia 4 de novembro, um tornado também atingiu áreas de Barra do Rio Azul, Erval Grande e Itatiba do Sul, no norte gaúcho.
Santa Catarina registrou três tornados no dia 4, com fenômenos ocorrendo em Chapecó, Xanxerê e Rio Negrinho. No Paraná, Maringá teve uma ocorrência confirmada no dia 2.
A sequência de tornados destaca a intensidade dos temporais na região, que ocorre em um momento de preocupação com o clima, sob a influência do El Niño. A previsão é de que a primavera seja marcada por chuvas acima da média e novos episódios de instabilidade em toda a Região Sul.
Por que a região Sul do Brasil é propensa a tornados?
O Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná estão localizados no Corredor de Tornados da América do Sul, área com condições atmosféricas favoráveis à formação desses fenômenos meteorológicos.
Essa região abrange também o centro e o norte da Argentina, Uruguai, Paraguai e parte da Bolívia, além de incluir São Paulo, o centro-sul de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul no Brasil.
Especialistas informam que o encontro de massas de ar com características diferentes é um dos principais fatores para a formação de tempestades severas. O ar quente e úmido vindo do Norte se encontra com massas de ar frio e seco que avançam do Sul, aumentando a instabilidade atmosférica.
Além disso, o cisalhamento do vento, que ocorre quando a direção ou velocidade do vento muda com a altitude, contribui para a rotação do ar dentro das tempestades.
A topografia, predominantemente plana em partes da região, e a passagem frequente de frentes frias e ciclones extratropicais também favorecem a formação de ambientes propícios para tempestades severas.
Os tornados estão se tornando mais frequentes?
Com sete registros em menos de uma semana, surge a questão: os tornados estão se tornando mais frequentes ou estamos apenas melhorando a identificação deles?
Segundo especialistas, ainda não há dados suficientes para afirmar que a frequência desses fenômenos aumentou no Brasil ou no Rio Grande do Sul. Não existe uma climatologia oficial que permita essa comparação.
A professora Rachel Albrecht, do curso de Meteorologia da Universidade de São Paulo (USP), observa que a divulgação dos eventos pode ter aumentado a percepção sobre a frequência. Os registros no Brasil são novos, dificultando conclusões. No entanto, em países como os Estados Unidos, a frequência está aumentando.
A ampliação dos registros está relacionada à melhoria nos sistemas de observação, à popularização das câmeras e ao trabalho de pessoas que monitoram tempestades.
É importante ressaltar que muitos tornados ocorrem em áreas rurais, sem testemunhas ou imagens que possam confirmar sua presença, o que pode levar à subnotificação dos fenômenos.
A sequência de tornados nesta semana reforça a importância do monitoramento meteorológico e da atenção aos alertas da Defesa Civil. Em um cenário de previsão de chuvas acima da média, é crucial acompanhar os avisos oficiais para reduzir riscos e orientar a população face a tempestades severas.
