Nas eleições de 2026, Alagoas e Santa Catarina elegeram exclusivamente candidatos autodeclarados brancos para suas assembleias legislativas. Este é o mesmo padrão observado em Santa Catarina nas eleições de 2022, enquanto Alagoas viu uma drástica queda na representação negra, passando de seis representantes negros na última eleição para nenhum eleito este ano.
A redução da diversidade racial nas assembleias estaduais se reflete em uma queda geral no número de eleitos autodeclarados pretos ou pardos no país, que caiu de 374, em 2022, para 332 em 2026, um recuo de 11,23%. A participação desses grupos na totalidade das 1.059 cadeiras disponíveis passou de 35,32% para 31,35%. Essa queda foi principalmente entre os autodeclarados pardos, que passaram de 313 para 271 eleitos, enquanto o número de representantes pretos se manteve em 61. Por outro lado, os brancos aumentaram sua presença, de 681 para 719, alcançando 67,89% das posições disponíveis.
Baixa representação no Sul
Além de Santa Catarina e Alagoas, os estados do Sul do Brasil também apresentam baixas proporções de representantes negros nas assembleias legislativas. No Rio Grande do Sul, apenas três dos 55 eleitos se declararam negros, representando 5,45% das cadeiras. No Paraná, quatro dos 54 eleitos são negros, o que equivale a 7,41%, enquanto os demais 50 são brancos.
Em contraste, estados como Amazonas, Amapá e Tocantins se destacam, pois mais da metade dos eleitos nessas regiões se declarou preta ou parda. O Amazonas, com 58,33%, lidera em proporção, seguido por Amapá e Tocantins, ambos com 54,17%.
Maior queda na Bahia
A Bahia registrou a maior redução absoluta de representantes negros, caindo de 39 para 31 eleitos. Isso resultou em uma diminuição na participação, que passou de 61,90% para 49,21%, fazendo com que a maioria deixasse de pertencer a esse grupo racial. O Piauí e Alagoas também viram quedas significativas, enquanto Mato Grosso do Sul destacou-se pelo maior crescimento proporcional, de 66,67%.
Representação indígena
A quantidade de deputados estaduais e distritais autodeclarados indígenas aumentou de dois, em 2022, para quatro em 2026, totalizando 0,38% das 1.059 cadeiras. Amazonas, Espírito Santo, Piauí e Rio de Janeiro elegeram um representante indígena cada. Também foram eleitos quatro candidatos autodeclarados amarelos, três em São Paulo e um no Rio de Janeiro, um aumento em relação ao ano anterior.
Esses dados refletem as informações disponíveis nas bases de candidatura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consultadas em 7 de outubro de 2026. A categoria de negros inclui os autodeclarados pretos e pardos, e os resultados de 2022 podem ser influenciados por decisões judiciais posteriores àquela eleição.
Fonte: Reprodução/GLOBO
