Intenção de Consumo das Famílias apresenta queda em setembro
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) registrou uma queda de 0,3% em setembro de 2026, atingindo 104,5 pontos, o menor índice desde março (104,4 pontos). A retração foi impulsionada pelas quedas de 0,7% na perspectiva profissional e no nível de consumo atual. Comparado a setembro do ano anterior, no entanto, houve um crescimento de 2,9% no índice geral, conforme dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A pesquisa revelam um contraste nas percepções dos consumidores sobre o mercado de trabalho. O indicador de emprego atual teve a maior alta do mês, com um avanço de 0,1% e crescimento de 2% na comparação anual. Por outro lado, a perspectiva profissional experimentou a quinta queda mensal consecutiva, com uma retração de 0,7% e 8,6% em relação ao ano passado. Hoje, 48% das famílias têm uma percepção positiva em relação ao emprego nos próximos meses, o menor índice desde setembro de 2022.
“Embora o recuo da inflação tenha favorecido a intenção de compra de bens duráveis no comparativo anual, os dados de setembro mostram que a preocupação com o futuro do mercado de trabalho fala mais alto no curto prazo, mantendo as famílias cautelosas para o consumo imediato. A renda do trabalhador já está comprometida com o crédito e precisa ser protegida junto com o emprego,”
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac
O momento para a compra de bens duráveis representa a maior influência positiva na comparação anual, com um salto de 17,2%. Esse resultado é favorecido pela menor pressão inflacionária sobre esses produtos, que apresentaram uma inflação de apenas 0,98% em 12 meses e uma desinflação mensal de -0,02% em agosto. Contudo, a variação mensal da ICF mostra uma redução de 0,5% na intenção de consumo por bens duráveis, indicando que as condições atuais limitam a disposição de compra no curto prazo. Como reflexo, o nível de consumo atual caiu para 91,5 pontos, o menor patamar desde o início do ano.
A retração na intenção de consumo afetou todas as faixas de rendimento, mas foi mais intensa entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos, com uma queda de 0,8%. Este grupo apresenta um pessimismo acentuado em relação ao mercado de trabalho. Já as famílias com renda de até dez salários mínimos tiveram uma redução mais leve (-0,2%), atenuada por avanços na percepção do emprego atual (0,4%) e na perspectiva de consumo (0,1%).
