A disposição das famílias brasileiras para comprar bens duráveis teve um aumento de 18,5% em maio de 2026, comparado ao mesmo mês do ano anterior. Esse crescimento na intenção de consumo, especialmente em eletrodomésticos e eletrônicos, foi impulsionado pela percepção de estabilidade no mercado de trabalho, resultando em um avanço de 1,6% na Intenção de Consumo das Famílias (ICF) em relação a abril.
A pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou que o índice atingiu 106,6 pontos, o que representa o maior patamar desde março de 2015, que registrou 108 pontos. Em comparação com maio de 2025, houve uma expansão de 3,3% no indicador.
Esse crescimento na intenção de compra é explicado pelo alívio inflacionário observado nos bens duráveis. Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) geral aumentou 0,67% em abril, os preços de bens duráveis subiram apenas 0,45%. No acumulado de 12 meses, a inflação para esse segmento foi de 0,68%, bem inferior aos 4,39% do índice oficial.
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, destacou que, apesar do otimismo, a alta da taxa Selic ainda limita o crédito e o poder de consumo imediato das famílias. Atualmente, 42,3% dos entrevistados se sentem mais confiantes em relação à segurança no emprego, o maior índice desde janeiro, o que reflete também um aumento na massa de rendimentos.
Entretanto, embora as famílias estejam mais otimistas em relação ao presente, demonstram cautela em relação ao futuro. O subíndice de perspectiva profissional teve uma retração anual de 5,9% devido a leves aumentos na taxa de desocupação nos últimos meses, embora tenha registrado um avanço de 1,1% comparado a abril.
Embora o consumo atual tenha crescido 1,4% no mês e 3,4% na comparação anual, o índice permanece em 93,8 pontos, ainda abaixo da linha de corte de 100 pontos, o que indica pessimismo nesse componente.
Essas informações são relevantes para entender a dinâmica de consumo no Brasil, especialmente no contexto de recuperação econômica e as expectativas das famílias em relação ao futuro.
Fonte: CNC
