O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), atingiu 100 pontos em setembro de 2026, um nível que indica neutralidade nas percepções do setor. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (30), reflete um pessimismo crescente no comércio brasileiro.
Entre os segmentos analisados, o setor de bens semiduráveis, que inclui roupas, calçados, tecidos e acessórios, mostrou uma readequação nas expectativas. Esse ajuste vem em um momento em que o mercado interno sente os efeitos do fim do imposto de importação sobre remessas internacionais, a chamada “taxa das blusinhas”, o que tem ampliado a participação do comércio exterior no consumo.
Os dados da pesquisa revelaram que a confiança no comércio de bens semiduráveis caiu 1,3% em comparação ao mês anterior. No ano, este segmento é o único a apresentar variação negativa, com um recuo de 1,7% em 12 meses. Em termos financeiros, o valor das importações desse setor aumentou 79%, totalizando R$ 526 milhões. Diante desse cenário, a expectativa econômica dos empresários do segmento de semiduráveis recuou 4,6% em setembro. O subíndice que mede as expectativas para empresários de roupas e calçados anotou uma diminuição de 4% na comparação mensal e de 1,4% na comparação anual.
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, comentou que “os dados observados refletem a adaptação do setor varejista nacional à atual conjuntura tributária e concorrencial, continuamente questionada pela CNC ao longo do debate em torno da isenção da taxa das blusinhas”.
Apesar do recuo no índice de confiança, a avaliação de longo prazo do setor ainda apresenta indicadores positivos. O índice geral do Icec registrou um crescimento de 1,7% em relação a setembro de 2025, sugerindo que os empresários veem o ambiente de negócios como mais favorável do que no ano passado.
Além disso, mesmo com uma queda de 1,9% no índice de expectativas em setembro, 59,5% dos dirigentes ainda projetam melhora econômica para os próximos meses. O cenário operacional apresenta equilíbrio, com a percepção sobre o nível de estoques sendo o único componente de investimentos a apresentar alta mensal, subindo 0,3% e 1,3% na comparação anual.
O comércio de bens duráveis, como eletrônicos e eletrodomésticos, registrou o maior crescimento anual, com aumento de 3,9%, impulsionado por preços favoráveis. As intenções de contratação de funcionários no comércio permaneceram positivas, com um crescimento de 4,2% no ano, indicando resiliência no mercado de trabalho deste setor.
Fonte: CNC
