Dependência química: SP faz 18 mil atendimentos no Hub de cuidados em 2023

As ações de atendimento do Governo de São Paulo a dependentes químicos, especialmente na região central da capital paulista, ganharam uma nova abordagem em 2023 com o Hub de Cuidados em Crack e Outras Drogas.

Desde abril, quando foi inaugurado, o equipamento realizou mais de 18 mil atendimentos, uma média de cerca de 2,2 mil por mês, sendo mais da metade de frequentadores das Cenas Abertas de Uso.

Com essa nova porta de entrada, o Estado de São Paulo passa a oferecer tratamento em toda sua linha de cuidados para que pessoas dependentes químicas tenham a oportunidade de recuperação para sua autonomia e estabilidade.

Os pacientes passam por uma avaliação multidisciplinar de triagem inicial no Hub e são encaminhados para algum tipo de equipamento para o tratamento, de acordo com as condições clínicas e de desintoxicação de cada atendido.

“Não vamos tirar ninguém da rua se eu não conhecer a história da pessoa e entender o que ela precisa. Estamos travando um grande combate contra a dependência química em nosso estado, que corrói nossa sociedade, destrói as famílias e as trajetórias. É um combate duro que temos que fazer”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas.

Até o início de dezembro, o Hub realizou cerca de 7 mil encaminhamentos, sendo 4 mil para Hospitais Especializados e 2,4 mil para Comunidades Terapêuticas legalmente constituídas. Outros 702 pacientes apresentaram demandas clínicas e foram encaminhados para Prontos Socorros, Unidades Básicas de Saúde, Ambulatórios Médicos de Especialidades ou Hospitais Gerais.

“Os números mostram que o HUB é um equipamento público de acolhimento e tratamento de dependentes químicos que deu certo e que superou as nossas expectativas”, afirma o vice-governador Felício Ramuth, coordenador das ações do governo paulista na região central, acrescentando que o objetivo é expandir a política pública também para outras regiões do estado.

A unidade conta com uma equipe de 380 profissionais especializados em dependência química, com o desenvolvimento de abordagens e escuta qualificada na Cracolândia e na recepção ativa da unidade.

O equipamento oferece desde o acolhimento do usuário de drogas em grupos de auto ajuda, até serviços ambulatoriais que vão da desintoxicação do corpo a atendimentos intensivos, tudo a partir de avaliação médica. O paciente também pode ser encaminhado para diversos tipos de tratamento, de acordo com seu perfil e necessidade.

“O HUB se transformou, de fato, numa verdadeira porta de saída que está sendo percebida pelas famílias. Por isso, gente não só da cidade de São Paulo mas de toda a região metropolitana tem procurado o serviço e, ali, tem conseguido o atendimento”, afirma o governador Tarcísio de Freitas.

 

Ciclo completo de tratamento

 Com o objetivo de oferecer tratamento e acompanhamento psicológico para dependentes químicos em recuperação e seus familiares, o Governo do Estado de São Paulo disponibiliza uma rede de serviços para a população, por meio de equipamentos da Secretaria do Desenvolvimento Social e da Secretaria da Saúde.

Além de modelos já existentes, como as Comunidades Terapêuticas, a atual gestão inaugurou em 2023 outros dois serviços inéditos no estado: as Casas Terapêuticas e o Espaço Prevenir.

As Casas Terapêuticas servem como uma alternativa às comunidades terapêuticas. O serviço é voltado à moradia, reinserção social e busca pela autonomia dos acolhidos, especialmente aqueles em situação de rua. A metodologia inovadora está estruturada em quatro fases distintas, ofertadas em um complexo que compreende três residências integradas.

Foram inauguradas ao longo do ano quatro Casas Terapêuticas: duas na capital paulista, uma em Guarulhos e outra em Osasco. O investimento foi de R$ 10,3 milhões.

Nestes locais, a pessoa acolhida passa por atendimentos com psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, terapeutas ocupacionais, entre outros profissionais, que trabalham habilidades sociais, um novo projeto de vida e o alcance da autonomia de renda e moradia. O período de intervenção pode durar entre 15 e 24 meses. Cada conjunto de casas tem capacidade para atender 45 pessoas.

Outra iniciativa inédita da gestão estadual neste ano foi o Espaço Prevenir. O equipamento é voltado para o atendimento e apoio a familiares de dependentes químicos e também para pessoas que já completaram o tratamento em comunidades ou casas terapêuticas.

“O enfrentamento da dependência química é uma prioridade para o Governo de SP. Estamos entregando serviços inovadores para a população que englobam todas as etapas do tratamento, incluindo as famílias dos dependentes, para que as pessoas tenham de volta suas vidas e seus sonhos”, afirma Gilberto Nascimento, secretário estadual de Desenvolvimento Social.

Neste ano, foram inaugurados quatro espaços: em São José dos Campos, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e na capital. Cada equipamento é capaz de atender 200 pessoas por mês. O local dispõe de uma equipe multidisciplinar que prestará auxílio psicoemocional para a população. O foco é fortalecer os vínculos familiares e prevenir recaídas.

O equipamento oferece dinâmicas psicossociais, terapias em grupos, consultas com psicólogos e atividades de cultura e lazer. Além disso, a equipe de profissionais dá orientações aos familiares sobre como agir em relação ao ente envolvido com as drogas e pode, inclusive, sugerir medidas como a internação. Os profissionais ainda ajudam os egressos a montar currículo e procurar emprego.

O estado ainda conta com outros equipamentos já existentes de acolhimento e tratamento, como as Casas de Passagem e as Repúblicas.

 

Ações de segurança

Além de toda a abordagem psicossocial, o Governo de São Paulo também atua na segurança na região central da capital, especialmente nos fluxos da chamada Cracolândia. A região contou com um reforço de 120 policiais militares no efetivo.

Entre o começo de abril e o final de novembro, o Sistema de Diagnóstico das Cenas Abertas de Uso de Entorpecentes, criado pela Secretaria da Segurança Pública, registrou queda de 51% na ocorrência de roubos e 37% de diminuição nos furtos na região central.

Desde o início do mapeamento, 1.758 pessoas foram detidas no local, sendo 514 foragidos da Justiça.

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