A proposta de independência dos estados do Sul do Brasil, defendida pelo movimento O Sul é o Meu País, apresenta desafios financeiros significativos, que vão além da questão da viabilidade política. Levantamentos sobre arrecadação e despesas previdenciárias indicam que a separação de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul pode acarretar um déficit bilionário nas contas públicas, especialmente no que diz respeito ao sistema previdenciário gaúcho, que tem um déficit estimado em pelo menos R$ 25 bilhões.
Embora a região seja uma das mais desenvolvidas do país, as promessas de prosperidade associadas à independência estão sendo questionadas à luz de dados que mostram uma relação financeira complexa com o governo federal. Além de arrecadar impostos, cada estado atualmente conta com o financiamento de despesas públicas essenciais que seriam necessárias em um novo país. Isso inclui aposentadorias, pensões, manutenção de universidades e hospitais, que não desapareceriam com a separação.
Um estudo do economista Eric Gil Dantas, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), revela que, em 2025, o déficit previdenciário no Rio Grande do Sul será de aproximadamente R$ 25 bilhões, enquanto outra análise por Pietro Vicari aponta uma diferença ainda maior, perto de R$ 37 bilhões. Esses dados refletem a baixa capacidade de arrecadação em comparação com os benefícios pagos aos moradores do estado, evidenciando a insuficiência das receitas previdenciárias.
Essa conta se torna ainda mais complexa quando se entende que a separação não extinguiria a responsabilidade sobre as aposentadorias já concedidas. As obrigações financeiras a serem discutidas entre os novos governos, caso a independência se concretize, seriam substanciais. Além disso, os estados precisariam criar suas próprias estruturas para gerenciar a saúde, educação e demais serviços públicos atualmente financiados pela União.
Uma pesquisa feita pela Fundação Getulio Vargas (FGV) questiona a ideia de que os estados do Sul sustentam desproporcionalmente o restante do Brasil. Segundo o estudo, muitos gastos federais realizados diretamente em estados não são contabilizados nas transferências federais aos governos estaduais, o que pode distorcer a percepção sobre a contribuição líquida de cada estado para a União.
Os três estados juntos somam um PIB de aproximadamente R$ 1,83 trilhão, mas isso não é garantia de equilíbrio fiscal. A separação exigiria um planejamento rigoroso para calcular impostos e despesas, além de um reestruturação das relações comerciais com o Brasil, que poderiam incluir tarifas de importação e outras complicações.
A independência, que já enfrenta obstáculos legais e constitucionais, requereria uma profunda reavaliação do custo de manter um novo país. Isso inclui desafios com a dívida pública, estruturas administrativas e a manutenção de serviços essenciais, como saúde e educação.
Embora a ideia de um Sul independente tenha apelo, os números demonstram que essa estrutura nova implicaria custos elevados e complexidades que até o momento não foram totalmente integradas nas discussões a respeito da separação.
