Um grupo de pesquisadores, formado por membros do Núcleo de Pesquisa do Cruzeiro e do Centro de História e Memória Cruzeirense, apresentou à Federação Mineira de Futebol (FMF) um dossiê solicitando o reconhecimento do título estadual de 1926 ao Cruzeiro. Esta conquista é considerada a primeira da história do clube e, caso reconhecida, se tornaria o 40º troféu do Campeonato Mineiro.
A FMF agora irá avaliar o material, que contém documentos históricos, registros e jornais da época, antes de oferecer uma resposta. A entidade, por sua vez, reconhece o Atlético como campeão mineiro daquele ano. O dossiê argumenta que dois torneios foram disputados na época.
O rompimento que tirou o Cruzeiro da Liga Mineira
A controvérsia tem seu início em um rompimento entre a FMF, então chamada de Liga Mineira de Desportos Terrestres, e o Cruzeiro, que na época era conhecido como Palestra Itália. Isso levou o clube a fundar, juntamente com outras agremiações de Belo Horizonte, a Associação Mineira de Esportes Terrestres (AMET), onde se sagrou campeão da liga paralela em 1926.
Fábio Militão, do Centro de História e Memória Cruzeirense, explicou o contexto histórico dessa ruptura. Ele afirmou que “o Cruzeiro foi disputar um torneio em Caçapava-SP, entre o Torneio Inicial e o Campeonato Mineiro de 1926. Quando o Cruzeiro voltou, foi penalizado pela Liga Mineira, cuja presidência era ocupada por Oscar Paschoal, do América. A punição resultou na suspensão do Campeonato Mineiro daquele ano”. Militão acrescentou que, após este evento, o Cruzeiro rompeu oficialmente com a Federação e criou a liga paralela.
O primeiro título da história do Cruzeiro
O torneio organizado pela AMET em 1926 teve a participação de clubes como Minas Geraes, Avante, Fluminense, Olympic, Botafogo, Santa Cruz e Grêmio. O Cruzeiro acabou se destacando, com goleadas expressivas, incluindo um 9 a 1 sobre o Fluminense e um 10 a 1 frente ao Grêmio. O Olympic foi o vice-campeão.
Fábio Militão também apontou que, na época, a diversidade de ligas em um único estado era comum, situação que só foi regularizada em 1941 com um decreto do presidente Getúlio Vargas. “Antes isso era possível, já que o futebol não era regulamentado. Os jogadores eram regulamentados pela Confederação Brasileira de Desportos”, explicou.
A AMET foi bem-sucedida, mas teve curta duração. O Cruzeiro voltou a competir na Liga Mineira em 1927, após uma mudança na presidência da instituição, quando a Associação Mineira de Cronistas Esportivos interveio. “A nova presidência da Liga convidou o Palestra para retornar, e em abril de 1927, o Cruzeiro decidiu voltar”, finalizou Militão.
Além de Fábio Militão, também participam da elaboração do dossiê Éric Andrade Rezende, Eugênio de Alvarenga Moreira e Romero Marconi de Souza.
