Treze dos 15 governadores que apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo turno já reconheceram a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, conforme levantamento do jornal O Globo. Essa movimentação indica uma priorização do diálogo com o governo federal para negociar recursos e investimentos, sendo essencial em um momento de dificuldades fiscais enfrentadas pelos estados.
Dentre os governadores que ainda não reconheceram oficialmente o resultado, estão Jorginho Mello (Santa Catarina) e Marcos Rogério (Rondônia). Os demais, incluindo Tarcísio de Freitas (São Paulo) e Sergio Moro (Paraná), já se manifestaram publicamente a favor da nova administração.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, foi um dos primeiros a reconhecer a vitória de Lula, ainda em outubro, e enfatizou a necessidade de olhar para o futuro. “A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio e esse sentimento é o de muitos brasileiros também”, declarou.
A resistência de Mello e Rogério, os dois que não reconheceram o resultado, é mais evidente. Mello mencionou em suas redes sociais que, embora a eleição tenha terminado, ainda há pontos que precisam ser esclarecidos aos eleitores. Rogério, por sua vez, lamentou a derrota de Flávio e a frustração dos eleitores de Rondônia, sem declarar se reconhecia o resultado, mas sinalizou a intenção de buscar uma gestão republicana com Lula.
A agenda conjunta dos governadores do Sul
Governadores dos estados do Sul – Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina – estão discutindo uma agenda conjunta para ser apresentada em Brasília. As pautas incluem a recuperação da Malha Sul e a renegociação de dívidas estaduais, além de um fundo constitucional para o Sul e o Sudeste, ampliação de crédito para o agronegócio e novos investimentos em infraestrutura.
Essas questões são fundamentais, pois dependem de uma negociação direta com a equipe econômica do governo. O pragmatismo fiscal dos governadores parece se sobrepor às lealdades políticas formadas durante a campanha eleitoral.
Próximos passos
Ainda não há data definida para que essa agenda dos governadores do Sul seja formalmente apresentada em Brasília. O diálogo deverá se intensificar com o início dos mandatos em janeiro, período em que os estados precisarão definir seus orçamentos com o suporte do governo federal.
