A proposta de independência do Sul do Brasil ganhou destaque internacional após um deputado de Santa Catarina sugerir um plebiscito sobre a separação da região. Um canal argentino abriu a possibilidade de acolher os estados caso a população decida pela autonomia.
A manifestação veio do canal argentino Carajo, que é vinculado ao movimento libertário e próximo ao governo do presidente Javier Milei. No dia 26 de outubro de 2026, o perfil do canal no X mencionou o deputado estadual eleito Bruno Souza (PL-SC) e sua intenção de promover a consulta popular.
No post, o Carajo afirmou que estaria aberto a receber os estados brasileiros se seus habitantes optassem pela incorporação à Argentina.
Embora tenha gerado reações variadas nas redes sociais, a posição do canal não representa uma oficialização da proposta por parte do governo argentino. A declaração surgiu como uma resposta a iniciativas separatistas, mas não configura uma negociação formal entre Brasil e Argentina.
Deputado do PL defende plebiscito após reeleição de Lula
A controvérsia teve início após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, quando Bruno Souza anunciou que pretendia cumprir uma promessa de campanha: realizar um plebiscito para que os catarinenses decidam se querem continuar integrados à Federação.
O deputado quer estimular debates similares no Paraná e no Rio Grande do Sul, argumentando que a região possui características políticas, econômicas e culturais distintas das demais partes do país. Ele criticou também a centralização das decisões em Brasília.
Souza anunciou a criação do comitê Sul Livre, que terá a função de reunir representações interessadas em discutir a relação da região com a Federação. O parlamentar assegura que qualquer mudança deve ser realizada de maneira pacífica e negociada.
Movimento registra votos pela separação, mas que não têm validade jurídica
No dia 31 de outubro de 2026, o movimento O Sul é o Meu País realizou uma consulta informal em Balneário Camboriú, Santa Catarina, onde 314 pessoas votaram a favor da independência, enquanto 27 se posicionaram contra, totalizando 341 participantes. A votação, que contou com a presença do vereador Naifer Neri (Novo), não possui validade jurídica, pois foi limitada e voluntária.
O movimento, que existe desde a década de 1990, já organizou consultas anteriores, mas enfrenta desafios quanto à viabilidade econômica e constitucional de uma possível separação. O artigo 1º da Constituição Federal estabelece que o Brasil é uma união indissolúvel de seus estados e municípios, o que tornaria um plebiscito favorável insuficiente para autorizar a saída da região.
A repercussão da proposta de separação evidencia uma discussão em curso sobre a identidade e autonomia do Sul do Brasil, e agora, com um novo olhar internacional, a questão se torna ainda mais complexa.
